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Segunda-feira, 05 de Julho de 2021, 06h:30

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Ética X Educação

O progresso moral se mede pela ampliação da esfera moral da vida social


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Ernesto de Sousa Ferraz Neto

A Ética na Educação está presente nas relações entre educador e educando sobretudo há manifestação de afetividade, solidariedade, cooperação, sentido da justiça, amor ao próximo, interesse pelo sucesso do outro e respeito. Contudo, nesse paradigma, o educador tem uma predisposição interna em ajudar desinteressadamente, se predispõe em ter compreensão mais ampla da vida. Da mesma forma, faz também um esforço sincero em promover a própria autoeducação, autoconhecimento, antes de falar, exemplifica; antes de teorizar, sente e antes de ser um profissional é um ser humano. Agindo segundo esses parâmetros está se aproximando do nível epistemológico da Educação Ética.

A Educação que adota o caráter gradual e o encadeamento linear do desenvolvimento humano, onde os conteúdos devem ser organizados em passos graduais. Assim como as dúvidas, lacunas, rompimentos não só estão ausentes como também são vistos como ingredientes negativos. Neste paradigma a Educação pode se restringir à base intelectual, a conhecida Educação escolar, e muitas vezes não atende às necessidades atuais.

Neste processo, a Educação escolar deve assumir papel fundamental, então, deve acontecer de forma natural, sem invasão e atropelos respeitando as etapas do desenvolvimento, tanto biológico quanto psicológico, do educando. Assim a consequência dessa Educação é fatalmente conduzir o educando à liberdade, um ser autônomo, livre das amarras da insegurança, dos medos, da subjugação, fazendo dele um homem que pensa, sente e age por conta própria. Orientado assim saberá dizer não nos momentos certos, toma as decisões calcadas no equilíbrio entre o pensar e o sentir. Não será repositório de conhecimentos acumulados na memória; há de ter um poder aquisitivo capaz de se enfronhar prontamente em qualquer assunto ou matéria que requeiram as necessidades do momento.

Quando à Educação esta é baseada no desenvolvimento progressivo das potencialidades da alma, através do apelo à razão e ao bom senso, gera confiança própria, esclarecendo mentes, estimulando a vontade, assim, auxiliará a pessoa a se tornar um ser que pensa, sente e age no bem, de maneira emancipada, pois o desenvolvimento da razão o conduzirá a analisar, pensar e escolher o melhor, e da mesma forma o desenvolvimento do sentimento despertará o amor, a bondade, a humildade, compaixão, dentre outros, sentimentos nobres que aproximam de Deus.

Acredita-se que o ser humano vai atingindo, gradativamente, a própria autonomia intelectual e moral, entrando em franco processo evolutivo, organizando sociedades dignas, onde a ciência, a filosofia e a moral caminham entrelaçadas no ideal; onde o ser humano encontra vasto campo de trabalho para a realização das elevadas aspirações da alma que se volta para Deus e ao próximo.

Para atingir um nível da Educação Ética requer que se tenha passado pelo nível da consciência reflexiva, pois o primeiro é o nível do conhecer a si próprio, o que somente se torna possível quando o sujeito adquire consciência da sua própria existência, do mundo ao seu redor e de seus semelhantes.

Por isso, a Educação Ética está de alguma maneira, ligada epistemologicamente à reflexão na ação, partindo do princípio de que o homem é o produto das suas múltiplas vivências e interdependências, quer seja no âmbito intelectual (das Ciências), quanto do espiritual (religião, valores e moral).

A Educação escolar é a arte de transformação ordenada e progressiva da personalidade, arte que, depois da escola passa aos cuidados do próprio indivíduo e que, plenamente compreendida nesta segunda fase do seu desenvolvimento, se estende desde o retoque de uma linha, desde a modificação de uma ideia, um sentimento e um hábito, até as reformas mais vastas e profundas. É o apelo dirigido aos potenciais do indivíduo quanto espírito. Educar é salvar almas. Através do trabalho persistente da Educação escolar, consegue-se transformar as trevas em luz, o vício em virtude, a loucura em bom senso, a fraqueza em vigor. Educar, então é fazer homens retos, dispostos a todo o momento a não praticar coisa alguma que não seja conforme a dignidade e a excelência de uma criatura sensata. A Educação vista dessa forma, tem por premissa a construção de ações em direção à prática que conduz às boas ações.

Entende-se como ética uma teoria, uma investigação ou explicação de um tipo de experiência humana ou forma de comportamento dos homens, o da moral, considerado, porém na sua totalidade, diversidade e variedade.

A ética parte do fato da existência da história da moral, isto é, toma como ponto de partida à diversidade de morais no tempo, com seus respectivos valores, princípios e normas. Como teoria, não se identifica com os princípios e normas de nenhuma moral em particular e tampouco pode adotar uma atitude indiferente ou eclética diante delas. Como as demais Ciências, a ética se defronta com fatos e, constitui o estudo do comportamento moral dos homens em sociedade, tendo por objeto a moral, ou, com maior exatidão, a moralidade positiva; conjunto de regras de comportamento e formas de vida através das quais tende o homem a realizar o valor do bem. Sendo os fatos humanos, implica por sua vez, em que sejam fatos de valor. Mas isso não prejudica em nada as exigências de um estudo objetivo e racional. A ética estuda uma forma de comportamento humano que os homens julgam valioso e, tornando-se algo obrigatório.

Assim sendo, a ética se relaciona estreitamente com as Ciências dos homens, ou Ciências Sociais, dado que o comportamento moral não é outra coisa senão uma forma específica do comportamento do homem, que se manifesta em diversos planos: psicológico, social, prático-utilitário, jurídico, religioso ou estético. Mas a relação da ética com as outras Ciências humanas ou sociais, baseada na íntima relação das diferentes formas de comportamento humano, não deixando esquecer o seu objeto específico, próprio, enquanto ciência do comportamento moral.

Por comportamento moral entende ser um conjunto de normas e regras destinadas a regular as relações dos indivíduos numa comunidade social dada, o seu significado, função e validade não podem deixar de variar historicamente nas diferentes sociedades. Assim a moral é construída historicamente e tem validade para um dado momento da história de um povo, à medida que ele evolui as regras morais também evoluem, modificando-se. Ela é histórica precisamente porque é um modo de comportar-se de um ser - humano - que por natureza é histórico, isto é, um ser cuja característica é a de estar em constante mutação se autoproduzindo constantemente, tanto no plano de sua existência material, prática, como no aspecto de sua vida espiritual, incluída nesta a moral.

Embora o progresso histórico acarrete atos positivos ou negativos do ponto de vista moral, não se pode transformá-lo em objeto de uma aprovação ou de uma reprovação moral. Por isso, pode-se afirmar que o progresso histórico, ainda que crie as condições para o progresso moral e traga consequências positivas para este, não gera por si só o progresso moral, porque os homens não progridem sempre na direção moralmente boa, mas também através da direção má; isto é, pela violência, o crime ou da degradação moral.

O progresso moral se mede pela ampliação da esfera moral da vida social. Essa ampliação se revela ao serem reguladas moralmente nas relações entre os indivíduos que antes se regiam por normas externas.

Todo cidadão é forjado pela obediência às leis, sejam elas, regras impostas por um poder externo, ou regras votadas e, mesmo aceitas, pela maioria. O fato de terem sido convencionadas pela maioria, não lhes tira o caráter repressivo, acompanhados que são de sistemas de coerção e punição. As leis que regem as almas são distintas das leis da Terra e estão impressas na consciência humana, dizendo-se respeito à retidão de conduta, e se designa de Lei Natural. É essa lei que rege o universo e dessa jamais se pode fugir. É independente de credo, ou origem, está ligada a espiritualidade de cada um. Aqui se pode reportar à premissa de não fazer aos outros aquilo que não se deseja para si mesmo.

A evolução moral é vista tanto pelo progresso das leis da Terra que rege o ser individual quanto coletivo, que busca sempre a Lei Natural que se encontra impressa na própria consciência. As leis terrenas caminham em paralelo à evolução do ser em direção à Lei Natural e, portanto, é histórica.

Educar nessa perspectiva não significa formar com vistas ao breve momento em que se está vivendo na Terra, mas em abertura para a eternidade. Não há outro caminho de se formar homens melhores moral e intelectualmente se não pela Educação: e a escola faz parte dela.

 

Ernesto de Sousa Ferraz Neto

Professor na rede de ensino público

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