Segunda-feira, 06 de Setembro de 2021, 06h30
ATENDIMENTO
Primavera do Leste é destaque em abordagem de pessoas em situação de rua
Secretaria de Assistência Social mantêm equipe trabalhando 24 horas

Jaqueline Hatamoto

Segundo levantamento feito pela Secretaria Municipal de Assistência Social, há aproximadamente 50 pessoas vivendo em situação de rua em Primavera do Leste. Quase 50 pessoas a menos do que o divulgado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), por meio da Vigilância Socioassistencial da Secretaria Adjunta de Assistência Social (SAAS), que colocou a cidade em destaque na lista com os 10 municípios com mais pessoas em situação de rua.

Primavera do Leste, segundo o boletim informativo emitido no mês passado, que tem como objetivo demonstrar o cenário atual da População em Situação de Rua inscrita no Cadastro Único em Mato Grosso, ocupa a 5ª posição no ranking, a cidade, segundo o boletim, tem 97 pessoas nesta situação.

O número é rebatido pela equipe do Centro de Referência especializado em Assistência Social – Creas de Primavera do Leste. “Esses números não são exatos. Eles representam o número de pessoas que estavam em situação de rua e buscaram atualização do CadÚnico aqui na cidade. É uma informação que a pessoa tem que manter atualizada. Se essa pessoa chegou e solicitou para garantir direitos, ele vai fazer a atualização vai constar como sendo de Primavera, esta pessoa pode ter ido embora para outra cidade, mas enquanto esse cadastro não for atualizado novamente, fica constando como Primavera do Leste”, explicou a psicóloga e coordenadora do Creas, Bruna Bonatto.

abordagem moradores de rua.jpg

 

 

Segundo a coordenadora, 470 pessoas em situação de rua passaram pelo atendimento da equipe em oito meses. Pessoas em busca dos mais variados atendimentos, e que por algum motivo estavam naquele momento em situação de rua. “A nossa porta de entrada é o Creas, nós temos um serviço especializado voltado para as pessoas em situação de rua. Fazemos diversos tipos de atendimentos e encaminhamentos. Então muitas vezes as pessoas vêm para a cidade já em busca deste atendimento diferenciado. Isso não significa que essas 470 pessoas estejam na rua, mas sim, que em algum momento elas estiveram e buscaram atendimentos em busca de ajuda, seja para ficar no albergue até conseguir um emprego, ou até mesmo uma passagem para voltar para perto da família”, explica Bruna.

Encaminhamento para albergue, passagem, alimentação, atendimento médico, encaminhamento para o Sistema Nacional do Emprego – Sine, são alguns dos serviços disponibilizados pelo Creas, que possui uma equipe que trabalha 24 horas no atendimento a moradores em situação de rua. “Uma facilidade que temos no município, é que temos uma integração das instituições, todas funcionam em parceria, então a gente consegue dar um suporte para a pessoa em situação de rua e oferecer a ela um atendimento completo e que realmente promova sua recolocação na sociedade”, destacou a coordenadora do Creas.

 

ALCOOLISMO E PROBLEMAS FAMILIARES

Mesmo com tantos serviços disponíveis há quem prefira ficar nas ruas. Esse é o caso de aproximadamente 50 pessoas que vivem hoje em situação de rua em Primavera do Leste.

Muitos destes moradores em situação de rua possuem familiares na cidade com condições de recebê-los em casa, porém, optam por viver pelas ruas da cidade.

A psicóloga e coordenadora do Creas, Bruna Bonatto, explica que há diversos fatores que contribuem para que estas pessoas não queiram voltar para casa e nem receber atendimento da equipe. “Muitos deles os familiares estão no município, mas diante da dependência química, conflitos familiares entre outros problemas preferem não voltar. Por mais que tentamos essa reinserção familiar, a gente precisa respeitar o desejo do cidadão. Não significa que essas 50 pessoas fiquem o tempo todo na rua, eles tentam a reaproximação com a família, mas sempre acabam voltando para rua”, expôs.

 

REFERÊNCIA E NOTIFICAÇÃO

Com uma média de 60 atendimentos por mês, e um atendimento com resultados significativos, e que promove, muitas das vezes, a reinserção na sociedade de indivíduo em situação de rua, elevou Primavera do Leste a referência nos atendimentos. Tanto que representantes de cinco municípios estiveram na cidade para saber como é feito o atendimento.

“Eles vieram para conhecer nosso trabalho. A maioria dos municípios não tem casa de passagem. A maioria só disponibiliza passagem. Nós não, nós realizamos todo um trabalho com eles, acolhemos e oferecemos oportunidade de mudar de vida”, explicou a secretária de Assistência Social, Leninha Riva.

Porém, há municípios do estado que se aproveitam deste atendimento, e encaminham os moradores em situação de rua para serem atendidos em Primavera, transferindo assim um problema social. “Nós já estamos notificando esses municípios, devido a quantidade de moradores em situação de rua que vem destas cidades”, expôs Leninha.

A coordenadora do Creas ressalta que o reconhecimento do trabalho, é fruto da dedicação da equipe a frente das ações. “Um dos grandes motivos (do reconhecimento) é a equipe comprometida, que realmente gostam do que fazem. Uma equipe comprometida em fornecer os serviços e garantir direitos da população”, declarou Bruna.

 

TERRAS DE OPORTUNIDADES

Primavera do Leste é nacionalmente conhecida pelo seu crescimento pujante e desenvolvimento acelerado. E é em busca deste desenvolvimento e novas oportunidades que muitas pessoas vem para Primavera do Leste, e quando chegam ao município se deparam com uma realidade diferente, e muitas vezes só resta a elas irem para as ruas, até que uma oportunidade surja.

De acordo com dados apresentados pela Secretaria Municipal de Assistência Social, a maioria das pessoas em situação de rua, são do sexo masculino e tem entre 20 e 50 anos, a maioria veio para cidade em busca de um emprego, e como não conseguiu, acabou ficando na rua. Nestes casos a equipe faz o acolhimento e disponibiliza estadia no albergue, até que a pessoa consiga se reinserir no mercado de trabalho. “Nosso município gira em torno de atividade agrária e muitos vem buscando isso. Até que esse processo de contratação ocorra muitos precisam do serviço de albergue. Não são todos os municípios que disponibilizam albergue, há município que a recepção é diferente e o nosso funciona 24 horas. As pessoas têm a oportunidade de permanecer na casa durante 08 dias, este tempo pode ser alterado de acordo com a necessidade do indivíduo”, frisou.

 

NÃO DÊ ESMOLAS

A secretária de Assistência Social, Leninha Riva, destaca que muitas pessoas em situação de rua acabam não aceitando ajuda da equipe, pois a população mantém a cultura de ajudar, dando esmolas.

Por este motivo, a pasta já está pensando em lançar nos próximos dias uma campanha de conscientização, para que a população, tenha conhecimento sobre os serviços oferecidos na cidade voltados a moradores em situação de rua. “É importante que a população não dê esmolas. Muitos dos moradores em situação de rua, recusam o nosso atendimento, pois sabem que se ficar na porta do banco conseguem dinheiro, marmita e outras coisas, e isso muitas vezes nos impede de fazer o serviço de acolhimento, de saber por que aquela pessoa está naquela situação e ajudar ela a ser reinserida na sociedade”, explicou. 

A psicóloga e coordenadora do Creas, Bruna Bonatto, ressalta que há outras formas da população ajudar, que é entrando em contato com o Creas. “Precisamos que essas pessoas tenham acesso ao serviço e aceitem os serviços, e para isso acontecer, precisamos que a população oriente a pessoas em situação de rua a procurar o serviço, pois as vezes é mais fácil doar dinheiro, comida, do que ligar para fazer o atendimento. Mas o dinheiro não é usado com comida, mas sim para sustentar sua dependência química”, frisou.

Os números para atendimento são: 66 3498-3406 (das 07:00 ás 13:00) 

66-99983 4255 – plantão das 13:00 às 17:00 e aos finais de semana 07:00 ás 17:00.


Fonte: Clique F5
Visite o website: https://www.cliquef5.com.br