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Domingo, 12 de Agosto de 2018, 19h:01

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Vocês, os pais dos meus pais: homenagem aos avós nesse dia tão importante

Hoje me deu uma saudade grande de vocês. Estava revirando umas fotos antigas e achei essas duas. Preciso reunir algumas para montar um perfil meu no...


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Hoje me deu uma saudade grande de vocês. Estava revirando umas fotos antigas e achei essas duas. Preciso reunir algumas para montar um perfil meu no Que Fim Levou, do portal Terceiro Tempo. Vai ter um espacinho com minha história lá. E minha história tem tudo de vocês dois. O sorriso de canto de boca, o abraço apertado, a mão dada. Os puxões de orelha, as brincadeiras, as aprontadas. E aperta demais. Apertou hoje.

Eu cresci. Vocês não me ouviram falar no rádio, mas conhecem como ninguém a minha voz. Conhecem minha voz tropeçando, mas tropeçando de chorar quando escorreguei e ralei o joelho. Quando quebrei o brinquedo. Quando fiquei sozinho no quarto. Quando fui pra escola pela primeira vez. E quando meus pais se separaram. Quando meu pai - o filho de um de vocês - morreu.  Seu esforço deu certo: tô aqui, firme e forte. A gente chorou junto. E se uniu ainda mais. Quando nosso time ganhou. Quando caiu. Quando o outro time nem rival foi. A gente torceu junto, nos dois lados. A gente viveu junto. Vive junto. 

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Viveu indo jogar bola nos bombeiros do aeroporto. No campinho em Guararema. Aprendendo a dirigir na estrada. E, claro, ralando o carro. Continuo dirigindo mal. Não sou que nem vocês: não gosto desse negócio de volante. Mas aprendi com vocês. Ganhei de vocês. Comecei a gostar de futebol com vocês. Escutei vocês. Hoje falo sobre o que vocês sempre souberam mais do que eu. Para tanta gente que não cabe num chute. Não sei mensurar. Só sei que é menor do que vocês foram. E são para mim. Um é corintiano, o outro é palmeirense. E são os dois muito parecidos.

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Vocês não me viram escrever. Nem gaguejar, nem esquecer, nem me perder nas palavras. Não viram a Espanha de um de vocês ganhar o mundo em 2010. E era o que eu mais queria. Torci demais. Nem o Corinthians vencer a América em 2012. Nem o Palmeiras - de outro de vocês - ressurgir mais imponente. E ser campeão brasileiro de 2016. E contratar os melhores. Os mais caros. Os disputados do mercado. Não era o que acontecia quando você foi embora, em 2013. Tudo tem mudado por aqui. Eu, inclusive.

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Mas meu sorriso continua o mesmo. Mesmo sem o abraço da foto, sem o olhar da foto, a pureza da foto. A voz talvez tenha mudado um pouquinho. O corpo, o (a falta de) cabelo, o enredo. Com vocês o tempo pode passar, pode acontecer de tudo, mudar todas as coisas de fora para dentro. Mas tudo será igual. É amor, na concepção da coisa. Amor, mas pode chamar de saudade. De muita saudade dos meus pais. Viver é um eterno recomeço. Essas fotos vão para o iG e para o Que Fim Levou. Ainda que eu saiba que gente como vocês não têm fim. 

Vocês vivem dentro de mim.

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