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Sexta-feira, 18 de Maio de 2018, 05h:20

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Expoente do punk no Brasil, Plebe Rude se aproxima da raiz em novo trabalho

Nos idos dos anos 1970 um novo movimento começava a tomar forma nos EUA e na Inglaterra. Essa manifestação cultural tinha entre seus elementos...


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Nos idos dos anos 1970 um novo movimento começava a tomar forma nos EUA e na Inglaterra. Essa manifestação cultural tinha entre seus elementos a música, marcada por ritmos simples e letras de protesto. Era o punk que surgia como um rompante de rebeldia, mas que trazia consigo uma importância social. No Brasil, foi só na década seguinte que esse movimento tomou forma, com bandas como Inocentes, em São Paulo. Mas, em outro lado do País, em meio a aridez do cerrado, outro grupo surgia como descendente direto dessa manifestação: a Plebe Rude.

Plebe Rude lança
Mateus Mondini
Plebe Rude lança "Primórdios" com músicas inéditas resgatadas dos anos 1980

Formada por Philippe Seabra , André X, Gutje e Jander Bilaphra, a Plebe Rude despontou junto com outros nomes do cenário brasiliense, como Legião Urbana e Aborto Elétrico. Com músicas como “Até Quando Esperar”, a banda logo se estabeleceu nesse cenário. “Punk é uma postura, e uma que a gente abraçou”, explica Seabra em entrevista ao iG .

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“Em Brasília, no meio do nada, olha só o que aconteceu: milhões de discos vendidos e o maior astro do rock brasileiro”, diz em relação a Renato Russo. Para ele, o movimento punk surgiu de uma vontade de mudar o mundo. Mas ser punk também significou não abrir mão de suas convicções. “Tem que ter culhões para fazer isso. Não tem música de amor, não tem musica babaca de novela”, comenta Seabra. “A Plebe foi uma banda mais pós-punk, mas a ideologia é a mesma, no som, na postura e em tudo o que faz na vida por que eu carrego isso na minha vida até hoje”, completa.

Passado, presente e idealismo

Philippe Seabra
Mateus Mondini
Philippe Seabra

Seabra se considera um idealista num país que não recompensa esse tipo de ação. “A Plebe nunca apelou para nada. A gente brigava com gravadoras, eu me recusei a fazer música no Chacrinha. Isso tem que ser celebrado. É muito fácil abaixar a cabeça para o mercado”, diz o guitarrista.

Ele sabe que isso significa que sua banda não estará na próxima campanha de refrigerante, nem na trilha da novela e, talvez, nem no rádio. Mas isso não tira o sono de Seabra, que sempre viu na música um movimento transformador, e não só algo para se ouvir para passar o tempo. Ele, inclusive, não acredita que a banda conseguiria ter continuado caso seguisse um caminho mais pop.

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Talvez por isso a banda tenha escolhido como o mais recente trabalho uma coleção de coisas antigas. A Plebe Rude acabou de lançar “Primórdios”, disco de músicas inéditas, mas que foram feitas no início dos anos 1980.

Memórias

André X e Philippe Seabra revisitaram o material
Mateus Mondini
André X e Philippe Seabra revisitaram o material "perdido" da Plebe e decidiram lançá-lo oficialmente

A ideia de resgatar o passado e trazê-lo para o presente começou com Clemente, uma das principais figuras do punk nacional, fundador do Inocentes e integrante da Plebe Rude desde 2003. Com o propósito de revisitar sua carreira, Clemente começou a trabalhar em uma biografia, “Meninos em Fúria”, escrita em parceria com Marcelo Rubens Paiva.

“Eu comecei a perceber que também precisava fazer o meu relato”, conta Seabra que ainda brinca que é o único com a memória intacta pois “sou o único cara dessa época que não fumava maconha”.

Ao resgatar as histórias do passado, Seabra deu de cara com materiais gravados no início da banda que nunca tinham visto a luz do dia. Com a ajuda do jornalista Paulo Marchetti e do pesquisador musical Olímpio Cruz Neto, que tinham parte desse acervo, Seabra começou a revisitá-lo ao lado do baixista e membro fundador da Plebe, André X. “É um retrato da época. Algumas músicas são muito cruas, algumas ácidas”, comenta Philippe.

Para o DVD, gravado em São Paulo, eles buscaram recriar também o espírito do começo da carreira: a iluminação, o pequeno palco e a estrutura mínima foram montados para emular a chegada da banda em São Paulo, onde conheceram a cena punk local e passaram por experiências, digamos, excêntricas. “Esse DVD é meio uma homenagem a São Paulo por que o undergound paulista era incrível. Eu tinha 16 anos e ia no “Madame Satã” (famosa casa noturna paulista) e tinha uma mulher comendo repolho”, relembra Seabra.

Antigo, porém atual

Plebe Rude
Mateus Mondini
Plebe Rude

“Não é nossa culpa. Nascemos já com uma bênção. Mas isso não é desculpa. Pela má distribuição”. Esse trecho ficou eternizado em uma das maiores músicas lançadas pela Plebe Rude, Até Quando Esperar. De 1985, a faixa continua atual, e representa muito do que a banda foi e continua sendo.

“Essa talvez seja a grande tragédia, as musicas não envelhecem”, comenta Seabra. “Eu fico feliz com a relevância da obra, mas como cidadão eu fico meio triste”, confessa o guitarrista.

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Mas, se o significado das letras continua atual – e urgente, também é o punk. Apesar de muito se dizer sobre a situação atual do gênero, Seabra crê que o punk está longe de morrer. “Radiohead se inspirou em quem? Dave Ghrol, Arctic Monkeys, Arcade Fire? O punk está vivíssimo nessas bandas que ligam o foda-se”, completa.

Viva está também a Plebe Rude que dá novo fôlego e nova cara a um registro antigo, fazendo-o novo e mostrando que a sua mensagem segue sendo importante.

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