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Domingo, 12 de Agosto de 2018, 09h:57

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Campeonato Brasileiro de Boxe é esperança profissional para jovens atletas

Davi Valle Clique para ampliar Kaian Reis sonhou com esse dia desde pequeno. Atleta desde os 12, ele se espelha no astro cubano Guillermo Rigondeaux....


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Kaian Reis sonhou com esse dia desde pequeno. Atleta desde os 12, ele se espelha no astro cubano Guillermo Rigondeaux. Seus golpes certeiros, que o levarão ao lugar mais alto no pódio, são reflexos de uma superação meteórica. Um ano e oito quilos a mais o separam de 2017, período em que foi vice-campeão no mesmo Campeonato Brasileiro. Mais velho, experiente e bem treinado, o jovem de 16 anos saltou de 52 kg para 60 kg, subiu de categoria e pôs seus pés nos estrados que marcam o primeiro lugar, na tarde deste sábado (11), na final da famigerada competição. O baiano, original de Camaçari, começa uma nova etapa em sua vida, estando na mira dos olheiros da Seleção Brasileira e a um passo de conquistar o tão almejado benefício da Bolsa Atleta.

"Hoje o que fica é a sensação de dever cumprido, a certeza de que consegui superar minhas próprias expectativas e meus limites. E essa vitória tem um gosto muito especial, pois me coloca ainda mais perto da Seleção Brasileira, onde terei a oportunidade de participar de competições de renome ainda maior, até mesmo fora do país. Ser um boxeador é um sonho grandioso, que tem me acompanhado desde os 12 anos e é isso que eu quero ser para o resto da vida. E como todo lutador profissional, disputar os Jogos Olímpicos é onde eu realmente anseio chegar. E se tiver o apoio da Bolsa Atleta, estarei cada vez mais próximo da realidade de viver unicamente do esporte", compartilhou o sorridente Kaian.

Ter o esporte como muito mais que um estilo de vida, mas sim uma fonte de renda constante, não é uma possibilidade inviável. Mesmo com todos os entraves que a prática profissional possa envolver no Brasil, o cenário tem ganhado novas formas, redefinindo a vida de muitos jovens que sonham com essa alternativa de vida. Para o secretário-adjunto de Esporte, Edilson Odilon, a Prefeitura de Cuiabá tem trabalhado estrategicamente nesse sentido, a fim de mudar o conceito de que o desporto não é uma opção de profissão. Incentivado desde a reinstalação do programa Bom de Bola, Bom de Escola, o município tem fomentado a realização de eventos que englobem as mais diversas modalidades esportivas, a fim de despertar tanto na população, como nas principais instituições nacionais vinculadas ao setor, uma nova perspectiva - mais madura e incentivadora da prática.

"O Campeonato Brasileiro de Boxe é um dos maiores eventos do país e esta já é a terceira edição que Cuiabá sedia. Esse investimento permanece como uma constante do poder público, que enxerga a prática esportiva como muito mais que uma oportunidade de despertar o interesse popular das comunidades, mas sim um mecanismo impulsionador do investimento do esporte na Capital. Sei que temos talentos escondidos que muitas vezes não encontram o incentivo e as condições necessárias para dedicar-se à modalidade que amam e o prefeito Emanuel Pinheiro quer inverter essa realidade. Começando na educação básica, o desporto já está sendo visto como não apenas um tipo de lazer despretensioso, mas sim como uma alternativa de um futuro promissor", refletiu.

Futuro promissor é o que não faltou no campeonato. Entre disputas diversas, o evento - dividido em três classes: cadete (16-17), juvenil (17-18) e elite (19-40) - reuniu 186 atletas de 21 estados, que lutaram entre os dias 05 e 11 de agosto pelo título de campeão brasileiro. A fase final foi acirrada, reduzindo o grande número de esportistas a um nicho bem menor. E todos eles foram acompanhados de perto por Amonio Silva, técnico da Seleção Brasileira de Boxe. Com seus olhos atentos, movimentos sorrateiros como socos de direita, ganchos, uppers, clinches e esquivas não passaram despercebidamente de sua atenção, que monitorava os dons dos atletas e sua possibilidade de ingressar ao seleto grupo da aristocracia da modalidade. Para o olheiro, o primeiro passo é sair vitorioso aqui, na etapa nacional.

"Estamos sempre em busca de novos atletas e ano passado o Brasileiro nos rendeu três boxeadores que foram separados para a seleção e chegaram a disputar o Campeonato Continental, nos Estados Unidos, obtendo uma ótima classificação. E para ter uma chance no time - atualmente composto por 22 esportistas, é preciso começar aqui. Temos muitos talentos novos e meu papel, enquanto treinador e olheiro, é sinalizar esses lutadores e dar sequência em sua preparação, que já fora consolidada nas categorias de base. Na equipe que representa o país, esses jovens são lapidados para que possam encarar novos desafios para além das fronteiras nacionais. Isso permite que eles alcancem o grande sonho, de mostrar todo seu potencial e habilidades nos Jogos Olímpicos", compartilhou.

Sobre viver do esporte, Amonio encorajou pais e mestres a incentivarem o sonho em seus filhos e alunos. "Os desafios são reais, mas não é um objetivo inalcançável. Temos na Seleção Brasileira muitos boxeadores que vivem da modalidade e levam suas vidas pelo que o boxe conseguiu lhes proporcionar economicamente. Muitos sustentam famílias inteiras, dando suporte para os pais e demais parentes. A premissa de que seguir uma carreira esportiva é inviável não é verdade. O sonho é genuinamente real", ponderou.

 

 

Compromisso

A realização do Campeonato Brasileiro de Boxe só foi possível com o amparo institucional da Prefeitura de Cuiabá, que dedicou seus esforços para garantir que as questões fundamentais fossem asseguradas para a Confederação Brasileira de Boxe. Arcando com os custos estruturais do evento, o município também confeccionou as 83 medalhas entregues, além dos 18 troféus. Para o presidente da Federação Mato-grossense de Boxe, Sebastião Borges, o apoio do poder público é a certeza de que novas iniciativas vinculadas ao esporte acontecerão nos diversos centros esportivos espalhados pela Capital.

"Se não fosse a Prefeitura, nada disso seria possível. A viabilidade do campeonato foi garantida por conta de toda essa logística planejada pelo município. Ao ceder o Ginásio da Lixeira e oferecer a estrutura necessária, tivemos a segurança de que mais uma vez Cuiabá seria a casa ideal para o boxe e a receptividade do público e facilidades oferecidas fortalecem isso. Estamos contentes por mais um ano, certos de que em breve voltaremos, graças ao apoio do poder municipal", concluiu Borges.

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